O Saquinho do Louco e o Inconsciente
Muito se tem especulado sobre o saquinho que o Arcano Maior O Louco transporta e o que contém. Sheldon Kopp chamou-o de "o pacotinho do conhecimento inaproveitado". Rachel Pollack por sua vez afirma que se trata das suas experiências, embora estas simplesmente não o controlem ao contrário das nossas lembranças e traumas que frequentemente controlam as nossas vidas. Existe ainda quem defenda que o saquinho do Louco simboliza o número Zero, pois é nele que estão contidos os quatro elementos misturados, que no Arcano I O Mágico surgirão já separados e prontos para serem trabalhados.
Penso que no saquinho do Louco se encontre tudo e simultaneamente nada. É o “todo cheio de nada” e o “nada cheio de tudo”. Em contacto com a “realidade” e consoante as circunstâncias da vida, vai-se convertendo nas coisas práticas e concretas do nosso dia a dia.
Poderemos, assim, entender o saquinho do Louco como sendo o símbolo do nosso inconsciente. Pois tal como o Louco transporta o seu saco "alheio" à sua existência, nós vivemos também "alheios" à existência do nosso próprio inconsciente que se nos apresenta como um "pequeno saquinho misterioso", tendo na realidade dimensões inimagináveis.
Seguindo o princípio da “Jornada do Herói” e considerando o inconsciente a porta de acesso aos arquétipos, pois segundo C. G. Jung, os arquétipos residem no inconsciente colectivo, o nosso inconsciente pessoal manterá, de alguma forma, contacto com esse incosciente colectivo, ou eventualmente até será uma extensão do mesmo. Poderemos então arriscar em dizer que dentro do "saquinho" de cada um de nós existe um "baralho com os 22 Arcanos Maiores", o que faz de nós umas vezes Loucos e outras, Iluminados. Isto dependendo se alguma vez nos viermos, ou não, a encontrar dentro do nosso próprio "saquinho".
No início da jornada, somos vistos como loucos e caracterizados por uma impulsividade inconsequente, vazia, “cheia de nada” que nos lança pelos tortuosos caminhos da inexperiência. Por outro lado, no final dessa mesma jornada, encontrarmo-nos a nós próprios nesse espectro de 22 faces e tornamo-nos loucos iluminados. O ego já não nos ofusca, somos o “nada cheio de tudo”, é o encontro com o “eu”, o “si mesmo”, o Self.

Tarot Marselha - 22 Cartas
Editado por Naipes Comas
© Ricardo Costa


