A história do Tarot (parte II)

 

A História do Tarot (parte II)
por Maria Helena Martins



Ettiella, um dos discípulos de Gebelin, afirmou que “o Tarot original tinha sido escrito em folhas de ouro num templo em Mênphis“.

O jogo das cartas comum é provável que tenha surgido a partir do jogo de xadrez, se não levarmos em conta a torre e o cavalo. De facto, verificamos que o jogo de cartas é constituído pelo Rei, Rainha, dois Valetes e os números de cartas equivalentes ao dos peões. Acredita-se que o uso das quatro cores, assim como de Moedas, Taças, Espadas e Paus tenha surgido no século XIV, pelo costume da época de se jogar xadrez a quatro pessoas.

O Tarot mais antigo que se conhece é o que se encontra no Cabinet de Estampes na Biblioteca Nacional de Paris. Segundo alguns poetas e escritores, este destinava-se à distracção do melancólico Carlos VI de França. Pensa-se que tenha sido encomendado a Jacques Gringonneur que era astrólogo e cabalista. Durante muito tempo pensava-se que pertenciam a este baralho dezassete cartas pintadas sobre velino debruadas a ouro e pintadas a prata, lápis – lazúli e com um pigmento vermelho escuro denominado como (pó de múmia). Actualmente, acredita-se que são italianas e de manufactura mais tardia.

Um dos mais belos jogos de cartas pertenceu a Duce Filippo Maria Viscont e data de 1392, pelo qual pagou mil e quinhentos florins de ouro ao seu secretário, o sábio e pintor Marziano da Tortona. Existem ainda hoje sessenta e sete cartas originais deste jogo muito antigo.

Com o passar do tempo, a apresentação dos emblemas e dos desenhos das cartas alterou-se. Desde que se começou a jogar, o baralho foi composto por vinte e duas cartas, e quatro séries de cores, cada uma delas contendo catorze cartas. O Tarot de Marselha surgiu nos finais do século XV e XVI, alcançando imediatamente um grande destaque entre os sumptuosos jogos, principalmente os que eram pintados à mão por grandes artistas, que geralmente os dedicavam ás famílias mais ilustres como os VISCONTI e SFORZA.

O Tarot de Marselha teve uma grande influência sobre muitos jogos que surgiram

nos finais do séc. XVIII e início do séc. XIX, época especialmente apaixonada pelo oculto na qual se deu um grande incremento do TAROT.

O TAROT adquiriu uma forma mais manuseável e mais sólida quando B.P. GRIMAUD lhe fez algumas alterações, sem alterar as suas qualidades intrínsecas. Os cantos tornaram-se mais redondos e as cores mais vivas passando a haver um claro predomínio do AZUL e do VERMELHO.

Paul MARTEAU, o grande mestre das cartas em França, traduziu em 1930, com grande rigor, toda a simbologia do TAROT de MARSELHA e fixou as tonalidades definitivas das cores que permanecem até hoje.

Se a origem do TAROT continua a ser um mistério, não constitui nenhum segredo, o seu extraordinário poder de adivinhação psicológico e espiritual. A sua influência vibratória é comparável a um tratado de psicologia em imagens. Surpreendentemente, permite comunicar, encontrar soluções e prevenir, aprender a aperfeiçoar o auto conhecimento e uma melhor compreensão dos outros. O TAROT não tem o poder de influenciar os acontecimentos, avisa-nos das influências que nos rodeiam para que, com conhecimento de causa e total “livre -arbítrio”, possamos decidir sobre o nosso futuro.

O TAROT não nos obriga a nada, indica-nos apenas caminhos que nós podemos seguir ou não, de acordo exclusivamente com a nossa vontade. Somos inteiramente responsáveis pelas nossas decisões, nunca devemos esquecer de que toda a acção leva a uma reacção.

 

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Frase

"Não sei se os astros mandam neste mundo,
Nem se as cartas -
As de jogar ou as do Tarot -
Podem revelar qualquer coisa.

Não sei se deitando dados
Se chega a qualquer conclusão.
Mas também não sei
Se vivendo como o comum dos homens
Se atinge qualquer coisa.

Sim, não sei"


Álvaro de Campos

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