Que bom, vou ficar rico e posso parar de trabalhar!

 

"- Divinação, lamentávelmente, não é tão fácil assim...
- Mas então, o que é que adianta me deixar ler as cartas? Afinal, é ou não é verdade o que elas me dizem?

Não temos chance de escapar da responsabilidade por nós mesmos. Pena, mas verdade.

A pergunta acima citada, formulada de maneira mais nobre, seria a questão até que ponto a vida em geral segue um mecanismo autoritário e autónomo, com isso fatalista do ponto de vista dos indivíduos. Partindo desta resposta ou visão da nossa existência, se manifestam diferentes conceitos em relação ao que chamamos de futuro. Entre os dois pólos extremos do idealismo ou do materialismo há centenas de crenças, filosofias, teorias e também desejos. O idealismo postula a consciência como base da existência, do ser. O materialismo define a consciência como efeito do ser. Não há nem certo nem errado nisto, tudo se prova.

Eu pessoalmente penso que a vida não segue nenhuma teoria humana, mas que todas teorias explicam uma parte do mundo, mas jamais ele todo. Creio que para entender a vida, no fundo temos que morrer; enquanto que estejamos aqui somente teremos alguns cacos fascinantes, coloridos e em parte lógicos a brincar com eles e construir o que quer que seja para nos facilitar a existência.

Assim, para voltar ao assunto do futuro fatalista ou não, decidi acreditar no seguinte:

A diferença entre o passado, o presente e o futuro está somente na nossa perspectiva. O passado nos parece ser estático, fixo e imóvel, o presente nos é quase somente um grande mistério que se mexe rapidíssimo e que o mais que tentamos entendê-lo, menos o captamos. O futuro então é o grande vácuo, o todo que poderia ser ou que não será jamais, é o potencial incógnito das nossas vidas, se evoluindo constantemente. Com isto é uma forma dinâmica, ao contrário do passado.

A pergunta central então seria do que, de quais fontes, a evolução do futuro se nutre. Penso que são três fontes que fazem o grande rio futuro:

1. Nossos atos presentes, independentes e individuais, que decidimos fazer conscientemente.
2. Nosso carma pessoal.
3. O carma coletivo do qual somente somos uma pequena parte.
(deixo de lado o carma planetário e cósmico, que seria a quarta e quinta fonte)

A terceira fonte está para muito além do nosso alcance e o mais que tentássemos, jamais conseguiríamos mudar o seu rumo ou a sua qualidade. Esta sim, é fatalista para nós.

A segunda fonte do nosso carma pessoal, mesmo sendo bem mais forte que nós, as vezes conseguimos influenciar. É difícil, mas possível.

A primeira então, é aquela que interessa mais, porque esta sim, podemos realmente influenciar.

É possivel ver nas cartas a força que está atrás de certos efeitos ou certas correntes futuras. Muito, mas muito raramente esta força é uma do carma coletivo. Neste caso então teremos que ser psicólogos na maneira de dizer ao cliente, caso seja um futuro desagradável.

Normalmente grande parte das informações acerca do futuro que conseguimos através das cartas são uma mistura entre o carma pessoal e os efeitos dos atos presentes. E isto não é fatalista. Mostra tendências, mais ou menos fortes, mas não inevitáveis.
Quase sempre podemos (poderíamos) melhorar ou piorar o que está para vir. O que normalmente se vê nas cartas é o que virá se continuarmos sendo como somos.

Com isto, querendo mudar o nosso futuro, temos que mudar a nós mesmos.

O tarô não nos vive a nossa vida. Simplesmente pode ajudar a vivê-la, dar palpites, sugestões, gritos de alerta ou de prazer, nada mais nem menos que um muito bom amigo que nos conhece melhor que nós mesmos.

Temos com as cartas uma janela aberta para o panorama das nossas vidas. Quem quiser ficar sentado pode, mas não saberá nunca como é ser ator principal no próprio filme. O tarô, longe de ser roteiro, é muito mais uma explicação do simbolismo deste filme.

Bons ou maus atores somos nós.
Mas até o pior ator ganha mais que um espectador."

© Kimon

http://www.tarotline.com/

 

Frase

"Não sei se os astros mandam neste mundo,
Nem se as cartas -
As de jogar ou as do Tarot -
Podem revelar qualquer coisa.

Não sei se deitando dados
Se chega a qualquer conclusão.
Mas também não sei
Se vivendo como o comum dos homens
Se atinge qualquer coisa.

Sim, não sei"


Álvaro de Campos

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